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the UNBUILT series . a casa mão

 

 

 

O verdadeiro lugar onde reside a obra não é apenas no interior da casa, mas na mente da pessoa que a viu.

contexto

O projeto alicerça-se na necessidade de criar um modelo de habitação standard, passível de ser produzido em série e, dessa forma, responder às necessidades de habitação globais de forma rápida e económica. Essa standardização das técnicas e das formas teve em consideração a diversidade dos modos de habitar atuais, a sua constante mutação e imprevisibilidade, evitando alinhar numa visão determinista da família e da habitação. Um standard flexível que funcionasse como um organismo vivo e evolutivo, resultado de níveis distintos de intervenção protagonizados por diversos intervenientes.

No projecto, essa flexibilidade foi conseguida através da separação entre um suporte estático e um determinado número de elementos destacáveis a ele justapostos. Esta relação entre estrutura perene e elementos flexíveis estruturou-se do geral para o particular, do público para o privado, da infra-estrutura para o espaço, garantindo sempre um núcleo habitacional mínimo e autónomo que pode ser ampliado, reduzido ou manter-se inalterado ao longo do tempo.

Do ponto de vista construtivo, foi dada continuidade à pesquisa desenvolvida no âmbito do projecto A Casa Portuguesa, com vista à criação de protótipos de habitação pré-fabricada. Com excepção do núcleo perene, foram usadas técnicas de construção a seco que funcionam através da assemblagem de elementos pré-fabricos.

Do ponto de vista formal, por seu lado, o contorno e proporções de uma mão aberta servem de base para o desenho da planta do edifício, garantindo a estabilidade de uma base canónica que sustenta as variações do modelo.

conceito

Uma parede de betão delimita um núcleo central que funciona como uma unidade mínima de habitar, suportando a adição de até quatro contentores pré- fabricados. A articulação entre estes dois conjuntos mimetiza, na forma e proporção da planta, a relação entre a palma e os dedos de uma mão.

A contradição entre o caráter escultórico do volume em betão e o aspecto ordinário dos contentores pré-fabricados gera tensões que enriquecem o significado da obra, fazendo-a oscilar criticamente entre valores iconográficos e outros estritamente funcionais. Essas tensões são exploradas a diversos níveis: a brutalidade do betão à vista contrasta com a delicadeza das formas que ele materializa enquanto a fealdade do contentor com o carácter intimista do seu interior. Estruturalmente, as paredes exteriores do núcleo central formam uma linha contínua de betão que suporta o encaixe dos módulos pré-fabricados e as estruturas do pavimento em soalho e da cobertura em painel sanduíche. O pavimento assenta numa estrutura metálica ligeira aparafusada à parede, não havendo contacto com o solo.

Funcionalmente, o núcleo central perene funciona como um openspace desenhado em torno de um pátio central e que alberga as funções públicas da casa – entrada, sala de estar, sala de jantar e cozinha. Este espaço é separado da zona de acesso aos módulos pré-fabricados através de um volume opaco onde estão a instalação sanitária e a zona de arrumos gerais. A zona privada é composta por um a quatro módulos pré-fabricados que podem receber um quarto com instalação sanitária ou um escritório.

projeto

O volume edificado está implantado num terreno hipotético, sem desníveis ou construção envolvente, e orienta-se de forma a que os quartos se relacionem com o interior do terreno, deixando a zona pública na proximidade da rua. O percurso de acesso faz-se em redor do polegar e a entrada é feita no ponto de contacto entre o dedo e a palma, sendo antecedida por um pequeno alpendre. As funções públicas organizam- se em torno de um pátio interior que permite o constante contacto visual, enquanto a zona de acesso aos espaços privados- resguardada pelo núcleo infra-estrutural – permite a criação de um quarto, dando hipótese de não serem acrescentados quaisquer módulos à estrutura perene.

As redes infra-estruturais de electricidade, água e saneamento funcionam no espaço deixado livre pelo pavimento sobre-elevado, dispensando a abertura de rasgos nas paredes, o mesmo acontecendo com o aproveitamento das águas pluviais e da instalação solar-térmica.

A zona privada é composta por um a quatro contentores de porto de 40′ ou 20′ que podem funcionar como quarto ou como escritório. O isolamento térmico e o acabamento interior são garantidos por painéis sanduíche com revestimento melaninizado em folha de madeira de carvalho colocados nas quatro faces laterais interiores do contentor.

As várias funções do quarto – instalação sanitária, quarto de vestir, zona de trabalho e zona de estar – são separadas por painéis alveolares com o mesmo revestimento melaninizado das paredes limite. Esta solução permite que as diferentes funções funcionem como nichos modulares cuja dimensão e localização podem ser facilmente alteradas, garantindo alguma flexibilidade.

 

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